À Mesa com Brisa & Mar

Cultura · Gastronomia · Viagem · Vinho · Memória
Taça de vinho sendo servida com lareira ao fundo — o ritual do fim do dia
Vinho & Bem-Estar

A taça
que é só sua

Como o vinho se tornou o meu ritual de autocuidado — e por que beber bem é, antes de tudo, um ato de amor próprio

R
Rafaela Crossetti
Sommelière · ABS-RS
Julho de 2026  ·  8 min de leitura
Edição 1 · Julho

Tem um horário do dia que eu protejo. Não é muito — uma hora, às vezes menos. É depois do banho, quando o dia começa a ceder. A luz fica mais baixa, mais quente. E eu abro um vinho.

Autocuidado é uma palavra que aparece em todo lugar — mas que na prática muita gente adia para quando tiver tempo. Para quando acabar o projeto, passar a fase difícil, resolver o problema. Eu entendi, com o tempo, que autocuidado não é uma recompensa futura. É uma escolha presente — pequena, diária, possível. E o vinho entrou na minha vida exatamente assim: não como celebração de algo grande, mas como pausa deliberada dentro de um dia comum.

Não estou falando de quantidade. Estou falando de intenção. Uma taça escolhida com cuidado, aberta com presença, bebida com atenção — isso é diferente de beber no automático, de esvaziar a taça sem perceber o que estava dentro. A diferença não está no vinho. Está em você.

Presta atenção na primeira taça — as sensações, os aromas, os sabores.
Depois, seja feliz.

Wine & Wellness
Beber menos, melhor e com intenção — o que é o Mindful Drinking

Mindful drinking não é sobriedade disfarçada. É atenção plena aplicada à taça — o mesmo princípio que a meditação aplica à respiração ou o yoga aplica ao movimento. É notar a cor do vinho contra a luz, sentir o aroma antes do primeiro gole, perceber como o sabor evolui da entrada ao final. É estar presente naquilo que está bebendo. Beber menos e melhor não é privação — é refinamento. É trocar quantidade por qualidade de experiência. E quando isso acontece, o vinho deixa de ser consumo e vira ritual.

✦

Cinco momentos que fazem a diferença

01
O Ritual · Transição
A escolha da taça
O gesto que prepara o momento

Tenho taças de formatos diferentes — e escolho qual usar dependendo do momento e do vinho. Esse gesto simples muda tudo. Não é frescura de sommelière: é uma forma de dizer ao seu cérebro que esse momento importa. Que você importa. A taça certa abre o vinho de uma forma diferente — libera os aromas, deixa o líquido respirar, transforma o simples ato de beber em algo mais completo. Antes mesmo do primeiro gole, você já está presente.

Presença Intenção Gesto Consciente
02
O Ritual · Desaceleração
A luz baixa e a primeira taça
O momento de transição do dia

Normalmente é depois do banho, no final do dia, após a nenê dormir e eu ter um momento só meu, para desacelerar do dia de trabalho, das funções da maternidade. A luz mais baixa e quente muda a atmosfera de qualquer ambiente — e não é coincidência: a iluminação âmbar sinaliza ao corpo que é hora de relaxar, de desacelerar. A primeira taça entra nesse momento como um convite ao presente. Não ao que aconteceu, não ao que ainda precisa ser feito. Ao agora. É aqui que a atenção importa mais — na primeira taça, quando o vinho está abrindo, quando os sentidos estão mais despertos. Presto atenção sempre. É quase um reflexo de formação.

Desaceleração Luz Quente Atenção Plena
03
O Ritual · Prazer
O vinho que você estava com vontade
Abrir porque quis — sem precisar de motivo

Às vezes não é sobre o jantar. Às vezes é simplesmente sobre aquele espumante que ficou na sua cabeça o dia inteiro. Aquele tinto que você passou meses esperando o momento certo de abrir. O autocuidado inclui isso: a permissão de querer algo só porque quer. Não precisa de data especial, de visita, de celebração. Você é motivo suficiente. Abra. Sirva numa boa taça. Prove com atenção. Depois pense na comida que vai harmonizar — ou não pense em nada. Só beba.

Permissão Prazer Puro Sem Justificativa
04
O Ritual · Gastronomia
Pensar no vinho e na comida juntos
A harmonização como ato de carinho

Quando penso no jantar, já penso no vinho ao mesmo tempo — não como regra, mas como cuidado. Que vinho vai deixar essa refeição mais gostosa? Que combinação vai fazer o sabor de cada um subir um nível? Harmonizar não é complicado: é prestar atenção. É tratar o seu jantar — mesmo um jantar simples de terça-feira — com a elegância que ele merece. Isso é autocuidado também: elevar o ordinário. Transformar o cotidiano em algo que vale a pena saborear.

Harmonização Cuidado Elegância Cotidiana
05
O Ritual · Liberdade
Depois da primeira taça — seja feliz
Atenção plena não é seriedade permanente

Essa é a parte mais importante — e a que mais gosto de dizer. Preste atenção na primeira taça. Sinta os aromas, os sabores, a textura. Observe como o vinho evolui na taça. Isso é treino, é aprendizado, é respeito pelo que está bebendo. Mas depois? Depois, seja feliz. O vinho não precisa ser sério o tempo todo. O autocuidado não precisa ser austero. Relaxa, ri, conversa, fique em silêncio, faça o que te faz sentir bem. O mundo do vinho é gigante, fascinante, inesgotável — e você está sempre aprendendo. Mas o mais importante é que cada taça te faça bem.

Leveza Alegria Bem-Estar Real
✦
Interior da Brisa Mar Vinhos em construção — palha, rattan, vegetação natural e luz quente
Brisa Mar Vinhos · Hípica, Zona Sul · Em breve

Um espaço construído para esse sentimento

A Brisa Mar Vinhos nasceu desse mesmo lugar — da crença de que o vinho não precisa ser intimidador, técnico demais, sério demais. A nossa loja, que está nascendo na Hípica, na Zona Sul de Porto Alegre, foi pensada e totalmente criada com um conceito que nasceu para a beira-mar — originalmente concebida para Xangri-Lá. Esse momento à beira do oceano ainda vai chegar, mas hoje, agora, ela se adapta e floresce na Zona Sul de Porto Alegre. Com palha natural, rattan, vegetação viva, luz quente e aquela música gostosa — blues, jazz, deep house, reggae music — que você ouve sem perceber que está ouvindo e sente a vibração praiana.

Porque a Brisa Mar não é uma loja de vinho. É um espaço de experiência. Onde você pode chegar em silêncio, olhar, tocar, perguntar — ou simplesmente ficar. Onde sempre tem uma garrafa aberta para degustar, mesmo que você não compre nada. Onde o vinho é tratado como o que realmente é: um convite ao bem-estar, à leveza, ao momento que é só seu.

Aprendi cedo, no início do curso profissional de sommelier, dois ensinamentos que nunca saíram da minha cabeça. O primeiro: para se aperfeiçoar, você precisa de litragem — então beba. O segundo: o vinho é um mundo. Você sempre vai aprender algo novo, sempre haverá algo a descobrir. Eu sigo os dois à risca. E é exatamente esse espírito que quero que a Brisa Mar carregue: um lugar com leveza e calmaria, de experienciar e bem-estar, onde beber bem é um começo, não um destino.

Escrito com afeto por
Rafaela Crossetti
Sommelière
Brisa Mar Vinhos

Quer uma curadoria personalizada
para o seu momento?

Nos acompanhe

A cada quinzena, um novo texto à mesa.
E no Instagram, a experiência acontece todos os dias.

@brisamarvinhos